Bratislava é a capital da Eslováquia e ainda é muito pouco conhecida turisticamente, principalmente dos brasileiros. Depois da queda do comunismo nos países vizinhos, os residentes da antiga Tchecoeslováquia saíram às ruas pedindo o desmembramento deste país e, amigavelmente o país foi dividido em, dois: República Tcheca, cuja capital é a belíssima Praga, e Eslováquia, cuja capital é Bratislava. E isto aconteceu num passado muito recente, em 1993.

Tive muitas dúvidas se valeria a pena destinar um dia pra conhecer esta cidade porque quase tudo que li em sites, não me despertavam muita vontade de ir, mas no final das contas, eu fui e posso dizer que adorei a cidade. Bratislava está tornando modinha entre os europeus, com ótimas opções de vida noturna, a preços bem bons, comparado com outros países da Europa. Foi recentemente aceita na União Européia. A cidade tem um centro histórico enxuto, mas não menos charmoso, que pode ser facilmente percorrido em poucas horas.
Bem, pra começar, estávamos em Viena e seguiríamos pra Budapeste ao final do dia e Bratislava estava ali, bem no meio do caminho. Por que não? De manhã bem cedinho, fizemos check-out no hotel de Viena e fomos até a estação rodoviária da cidade (metrô CAT - City Air Terminal), se é que podemos chamar aquilo de rodoviária. Terrível. Compramos os tickets com a Eurolines por 7,20 euros. Os ônibus são novinhos e têm wi-fi e a viagem dura cerca de 1 hora. Quando chegamos, o ônibus parou debaixo da Ponte Nova, num lugar horroroso, dizendo ser ali o ponto mais perto do centro. E só depois nos demos conta que era mesmo!
| "Rodoviária"de Bratislava, a única debaixo da Ponte |
Eu não sabia pra que lado ir e não estava vendo nenhum lugar que pudesse deixar nossas malas. Tentei tirar informação, do tipo: Onde estamos? Tem um mapa? Tem um locker? Inevitável...ninguém falava inglês por ali...Eu sabia que na Estação de Trem da cidade tinha lockers e então meu foco foi descobrir como chegar até lá. Perguntei pra uma moça de uma barraca que entendia um pouco de inglês e ela me deu um papel escrito apenas "BUS 93" e ficou fazendo sinal pra eu ir pra cima da ponte. Deduzi que o ônibus passava por ali e lá fomos nós arrastando aquelas malas gigantes morro acima, um calor atípico. Um rapaz que aparentava trabalhar com turismo, vendo nosso desespero, se aproximou e nos explicou exatamente onde pegar o ônibus. Ele não sabia dizer também se tinha ônibus de Bratislava pra Budapeste e eu não vi nenhum aviso nos painéis da "rodoviária debaixo da ponte". Arrastamos as malas por uns 10 minutos morro acima, até acharmos o ponto de ônibus. Quando passou o tal BUS 93, entramos e mesmo que quiséssemos, não tínhamos como pagar, pois era só por meio de tickets e estes não eram vendidos dentro do ônibus. Fomos com a cara, coragem e um pouco de sorte.
Quando chegamos na Estação de trem, nem parecia que estávamos na Europa, mas sim, em alguma cidade no meio do Oriente Médio.
O local é bem confuso, nada em inglês, a não ser a placa de boas vindas: "Welcome to Slovakia"
Fomos procurar um locker. Aqui paga-se pelo peso das malas e as nossas duas custou 4 euros. Depois fomos comprar o ticket pra Budapeste, com horário em aberto. Até conseguirmos, fomos jogados de balcão em balcão, porque o balcão que dava informação não era o mesmo que vendia e, este por sua vez, não podia dizer os horários disponíveis, pois eles só vendiam. Aff! As atendentes eram as únicas pessoas que falavam inglês, mas não te respondiam nada além do que elas eram pagas pra responder. Extremamente ríspidas, sem nenhuma simpatia. Pedi um mapa da cidade, mas foi a mesma coisa que se tivesse pedido dinheiro emprestado: "Não tem mapa! Só comprando!" , sempre com uma cara de quem queria nos bater! E um mísero mapinha não custava menos de 5 euros. Deixamos o mapa pra lá e pegamos o ônibus 93 novamente, que parava perto do centro. Encontramos 2 rapazes brasileiros que estavam fazendo um bate e volta de Viena. Eles haviam ido pra Bratislava de trem e disseram ter custado quase o mesmo que pagamos e, com certeza, com menos perrengues.
| Ponto de ônibus da estação de trem |
Apesar de toda esta confusão na chegada, quando chegamos no centro e começamos a desbravar a cidade, ficamos encantados com o centro histórico! No caminho o ônibus passa pelo Palácio Presidencial, onde tem até troca de guarda.
O ônibus nos deixou em frente ao Shopping Eurovea, um complexo gigante com muitas lojas do momento. Não o conhecemos por dentro, mas deu pra ver que era realmente um shopping muito bom!
O centro histórico é uma graça. Começamos pela Praça Central, onde está o Teatro Nacional e um dos pontos de partida dos trenzinhos que fazem os city tours pela cidade.
A Praça fica de frente para o Rio Danúbio e sobre ele foi erguida a Ponte Nova, que tem no topo um restaurante chamado UFO, que mais parece uma nave espacial. É um dos ícones mais modernos da cidade.
| Calçadão às margens do Danúbio |
Ali pertinho está o prédio da Filarmônica Eslovaca.
Seguimos em direção ao coração da cidade velha e encontramos restaurantes simpáticos pelo caminho. Já gostamos dos preços da cidade, comparados a Alemanha e Áustria. Aqui come-se muito bem pagando bem menos que em outros países europeus.
Passamos por algumas feirinhas de artesanatos, ótimo local pra comprar souvenirs da cidade. As feiras estavam animadas, com muitos turistas. O dia de sol ajudou muito e passamos um dia perfeito nesta cidade, que muito nos surpreendeu.
Um dos grandes encantos de Bratislava é sair pelas ruazinhas da cidade e tentar achar suas muitas estátuas espalhadas por elas. Abaixo foi a primeira que avistamos, a estátua do operário, numa esquina super movimentada (no cruzamento da rua Panska com a Sedlarska).
Depois achamos a do simpático senhor com sua cartola na mão, a do paparazzi, que fica escondidinho numa esquina à espreita de um turista para posar pra suas lentes, e de um solitário soldado de guerra, debruçado no banco da praça.
Antes de continuarmos desbravando os segredos desta cidade, resolvemos subir as escadarias que levam ao maior ícone da cidade: o Castelo de Bratislava, que existe de o ano 907. Este castelo foi destruído e reconstruído várias vezes, mas as fundações são originais. Há um museu em seu interior, mas ficamos só com a vista mesmo.
| Rio Danúbio e o UFO, vistos do Castelo de Bratislava |
Na descida, continuamos a visita pelas ruelas de Bratislava e achamos lugares muito interessantes.
A Praça Hlavné Námestie é o coração da Bratislava. Por aqui e seus arredores estão belos edifícios, igrejas, palácios e a prefeitura.
Mas são nas ruelinhas do centro antigo que descobrimos lojinhas, tavernas, pubs, lojas de cristais com ótimos preços e restaurantes de comida típica eslovaca.
| Simbolos no chão que levam ao Castelo |
| Lojas de Cristais com preços bem atraentes |
As ruas Ventúrska e Michalská são repletas de restaurantes charmosos e levam até Portão de São Michel, onde funciona um museu é um dos cartões-postais da cidade.
Frente a muitas opções de restaurantes, escolhemos o Restaurante Minerva e escolhemos dois pratos típicos eslovacos. O meu foi o mais famoso, o "Bryndzové Halusky", um gnocchi de batata com queijo de cabra e uma bela linguiça (pode trocar por bacon). O prato é um dos mais típicos e é realmente delicioso. Não deixe de experimentar. O Alê pediu uma espécie de panqueca de batata recheada de carne com molho e repleta de queijo, mas o meu estava bem melhor.
| Meu gnocchi eslovaco! |

















